O significado do Natal

26 Dec, 2019

No Natal, os cristãos celebram o nascimento de Jesus. Mas não apenas como um personagem histórico que mudou o mundo, nascido na província romana da Judeia, no tempo do imperador César Augusto. Na festa de Natal, recorda-se algo fundamental para a fé cristã: a encarnação do Verbo Divino para a redenção da humanidade. Trata-se de um episódio que os católicos em particular recordam cotidianamente na oração do Angelus: “e o Verbo se fez carne e habitou entre nós”.

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“Naquela Criança, envolvida em panos e recostada na manjedoura, é Deus que vem-nos visitar para guiar nossos passos no caminho da paz”, afirma o Papa João Paulo II, em sua mensagem Urbi et Orbi, no dia 25 de dezembro de 2002. Na gruta de Belém – explica o Papa emérito Bento XVI –, Deus se mostra aos homens como um humilde menino para derrotar a nossa soberba. Se Deus tivesse encarnado envolto em poder, riquezas e glória, talvez o homem tivesse se rendido mais facilmente. Mas Deus “não quer a nossa rendição”. Pelo contrário, faz apelo ao nosso coração e à nossa livre decisão de aceitar o seu amor. “Fez-se pequeno para nos libertar daquela humana pretensão de grandeza, que brota da soberba; encarnou-se livremente para nos tornar deveras livres, livres para o amar”.

No Menino recém-nascido, cujo rosto os cristãos contemplam no Natal, manifesta-se Deus-Amor. Continua Bento XVI “Ele pede o nosso amor: por isto faz-se menino”. “Deus fez-se pequeno a fim de que nós pudéssemos compreendê-Lo, acolhê-Lo, amá-Lo”.

A respeito da espiritualidade do Natal, podem-se destacar três características: é um mistério de luz – vitória sobre as trevas –; é uma restauração cósmica – início da normalização da comunhão com Deus, que fora perturbada pelo pecado; é intercâmbio da Redenção – “ao se tornar Ele um de nós, nós nos tornamos eternos”. O Natal é ainda anúncio de paz, com a manifestação do “Príncipe da Paz” (profeta Isaías).

Aos homens de hoje, o Natal continua se apresentando como uma festa universal. De fato, mesmo quem não se professa cristão, pode sentir nesta celebração anual algo de extraordinário e de transcendente, algo de íntimo que fala ao coração. Disse Papa Francisco, em audiência geral de 18 de dezembro de 2013: “O Natal de Jesus mostra como Deus se colocou da parte do homem, duma vez para sempre; fê-lo para nos erguer do pó da nossa miséria, das nossas dificuldades e pecados. O mistério do Natal ensina-nos que, se Deus não quis revelar-se como Alguém que olha do alto e domina o Universo, mas antes humilha-Se e desce à terra pequenino e pobre, então, para nos parecermos com Ele, não devemos colocar-nos acima dos outros mas humilhar-nos, pôr-nos ao seu serviço, fazer-nos pequenos com os pequenos e pobres com os pobres”.

A partir do nascimento de Jesus, o mundo contou seus anos, um após o outro, através desse fato, “que aconteceu no seio de uma mulher, tornou-se um menino, tornou-se um homem que falou nas praças, comeu e bebeu à mesa com os outros, foi condenado à morte e executado” (Luigi Giussani). Por isso, para encerrar, segue um trecho dos Coros de “A Rocha”, de T.S. Eliot, poeta americano, vencedor do prêmio Nobel de Literatura:

E adveio então, num instante predeterminado, um momento no tempo e do tempo, Um momento não fora do tempo, mas no tempo, naquilo que chamamos história: seccionando, dividindo a esfera do tempo, um momento no tempo, mas não como um momento do tempo, Um momento no tempo, mas o tempo foi feito através desse momento, pois sem significado não há tempo, e aquele momento do tempo lhe deu o sentido. Pareceu então que os homens deviam seguir de luz em luz, na luz do Verbo, Através do sacrifício e da paixão salvos e despeito da negatividade que o ser de cada qual continha; Bestiais como sempre, carnais, egoístas, interesseiros e obtusos como sempre haviam sido E ainda assim lutando, sempre reafirmando e recomeçando a marcha num caminho que fora iluminado pela luz; Tantas vezes parando, perdendo tempo, desviando-se, atrasando-se e voltando, mas jamais seguindo outro caminho."

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Bons estudos e um Feliz Natal!

Por Rafael Mahfoud Marcoccia, professor doutor do departamento de ciências sociais do Centro Universitário FEI.

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